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A hérnia de disco é uma condição relativamente comum e pode ocorrer em toda a coluna, porém os locais mais comuns são a coluna lombar e cervical devido a maior mobilidade nessas regiões.

Quando nos referimos ao termo "hérnia de disco" queremos dizer que a estrutura responsável por ser um "amortecedor" entre as vértebras, saiu do seu lugar habitual. Esse deslocamento do disco pode comprimir os nervos da coluna e causar dor.

Os discos deslocados (ou herniados) geralmente são causados por esforço excessivo ou trauma. Entretanto, alguns pacientes podem desenvolver hérnia de disco devido ao envelhecimento natural da coluna e fatores genéticos.

Uma boa notícia é que a história natural da hérnia de disco mostra que a maioria dos casos cicatrizam e acabam sendo reabsorvidos (diminuem) com o tempo. Esse período para a reabsorção é muito variável de paciente para paciente, podendo ser de algumas semanas até alguns meses. Trata-se de um processo natural de cura que pode efetivamente ocorrer ao longo do tempo. Em alguns pacientes a reabsorção pode demorar muito ou até mesmo ocorrer uma calcificação do disco, levando a sintomas persistentes.

 

Veja na imagem da ressonância magnética abaixo um caso de hérnia de disco lombar que foi reabsorvida em 4 meses:

Observe no caso acima que o componente hérniado (deslocado) do disco desapareceu, porém o desgaste e desidratação do disco permanece (processo irreversível de degeneração). Esse paciente ficou completamente sem dor após a reabsorção da hérnia de disco.

 

Como se forma uma hérnia de disco?

A hérnia de disco se forma quando ocorre uma ruptura na "capa" do disco. Essa "capa" é chamada de ânulo fibroso, sendo formado por várias fibras. Quando isto ocorre, o conteúdo (núcleo pulposo) costuma extravasar semelhante a um gel. O canal por onde passam os nervos na coluna (canal vertebral) tem espaço limitado para o conteúdo líquido e nervos. Portanto, quando o disco começa a ocupar esse espaço limitado, normalmente há compressão neurológica e dor.

Todos nós iremos apresentar algum "desgaste" ou degeneração do disco ao longo dos anos. Esse processo geralmente se inicia aos 20 e poucos anos de idade e progride lentamente. A medida que o disco degenera, ele "desidrata", causando fragilidade na sua estrutura e maior suscetibilidade a ruptura e herniação.

Existem alguns fatores de risco que podem acelerar esse processo como: movimentos repetitivos de flexão/torção da coluna vertebral, levantamento de pesos de forma incorreta, traumatismos na coluna, obesidade, tabagismo e genética.

 

Quais os sintomas de uma hérnia de disco?

A dor causada por uma hérnia de disco pode variar muito em intensidade e localização. Na maioria dos casos ela é sentida em apenas um lado do corpo.

Se houve lesão do disco, porém sem herniação ou deslocamento significativo, a dor costuma ficar limitada a região do disco. Como exemplo comum temos a ruptura ou fissura do ânulo fibroso (a capa do disco).

Nos casos em que a hérnia de disco efetivamente toca ou comprime as estruturas nervosas, geralmente a dor é referida em outro local ou até mesmo irradiada desde a coluna até a estrutura inervada pela raiz nervosa acometida. Nesses casos os sintomas mais comuns são: dor intensa na coluna com sensação de irradiação para um membro (braço, mão, perna, pé, etc), formigamentos, amortecimentos, câimbras, perda de força ou travamentos, etc.

 

Como é feito o diagnóstico da hérnia de disco?

A história clínica e o exame físico são fundamentais no diagnóstico da hérnia de disco. O relato clássico de dor na coluna com irradiação para um braço ou uma perna associado a alguma alteração de sensibilidade ou alteração motora sugere fortemente o diagnóstico. É claro que existem muitos diagnósticos diferenciais que devem ser excluídos, daí a importância da avaliação médica.

Para auxiliar o diagnóstico, os principais exames realizados são: radiografias e ressonância magnética. Esses exames são não invasivos e permitem o diagnóstico na maioria dos casos.

 

O tratamento para a hérnia de disco é efetivo?

Cerca de 90% dos casos de hérnia de disco melhoram e efetivamente se resolvem com o tratamento clínico/conservador. Esse tratamento sempre deve ser indicado por um médico.

As opções de tratamento são muitas. Nos primeiros dias é aconselhável um repouso relativo, medicações analgésicas, antiinflamatórias e algumas vezes até opióides para a crise aguda, fisioterapia analgésica e acupuntura.  Nesse momento a prática de exercícios de fortalecimento e alongamentos deve ser suspensa até a melhora dos sintomas agudos. Atividades esportivas também devem ser suspensas.

Após a fase aguda e a melhora do processo doloroso e inflamatório, é fundamental a reabilitação da musculatura da coluna vertebral, abdomen e membros. Aqui entram técnicas de fortalecimento muscular, alongamentos e estabilização postural. Muitos casos estão relacionados a má postura crônica. Nesse momento é muito importante o acompanhamento de um fisioterapeuta para orientar os exercícios de fisioterapia motora, RPG e fortalecimento.

A prática regular de exercícios também é muito importante para evitar novas crises e novas hérnias de disco no futuro. Os exercícios mais indicados são: caminhadas, natação, pilates, yoga e academia com restrição a alguns exercícios que podem sobrecarregar os discos.

Cerca de 10% dos pacientes com hérnia de disco persistem com os sintomas dolorosos ou eventualmente apresentam sinais neurológicos associados e progressivos. Nesses casos, quando há falha do tratamento clínico, pode estar indicado o tratamento cirúrgico.

Existem vários tipos de tratamentos cirúrgicos para a hérnia de disco e cada caso deve ser individualizado, daí a importância de passar em avaliação com um especialista em coluna. Atualmente damos preferência para o uso de técnicas minimamente invasivas para a retirada da hérnia de disco, onde o tempo de internação é menor e a recuperação pós-operatória é mais rápida.

A retirada da hérnia de disco por via minimamente invasiva permite um corte mínimo na pele como nas duas imagens a seguir (ilustração e imagem intra-operatória), sem lesão muscular como nas cirurgias abertas tradicionais. É fundamental sempre passar em avaliação médica com um especialista em coluna nesses casos.

 

                                                                              

 

 

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