Escoliose Idiopática

Escoliose Idiopática: O que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

Escoliose é uma alteração na estrutura da coluna. Inicia-se mais comumente na fase da adolescência. Entre os tipos de escoliose, a mais comum é a escoliose idiopática.

Para entender os sintomas e como é possível ser feito o tratamento, leia meu artigo sobre escoliose idiopática:

escoliose idiopática

Escoliose Idiopática: Infantil, Juvenil, Adolescente e Adulto

A escoliose idiopática é uma doença que causa um desvio na coluna em formato de S ou C. É uma patologia que na maioria dos casos é assintomática, porém pode evoluir com sintomas com a sua progressão.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 80% dos casos de escoliose é de causa idiopática e a maior parte são curvas pequenas. Em curvas mais avançadas, pode limitar a mobilidade da coluna e até mesmo, reduzir o espaço dentro do tórax que abriga os órgãos do sistema cardíaco e respiratório, assim, impedindo o correto funcionamento.

escoliose idiopaticaA progressão da curva é mais comum durante a maturidade do esqueleto, até os 18 anos. Por isso, ela é tão comum em crianças e adolescentes.

Chama-se idiopática porque não há causa específica para o seu aparecimento.

A escoliose idiopática ainda se classifica de acordo com a idade de início:

  • Infantil: 0-3 anos de idade;
  • Juvenil: 3-10 anos de idade;
  • Adolescente: 10-18 anos de idade;
  • Adulto: > 18 anos de idade.

É importante entender que não é a postura corporal inadequada que causa a escoliose idiopática, mas sim, é a curvatura da coluna causada pela escoliose que é responsável pela má postura.

Como identificar a escoliose idiopática?

Muitas vezes a escoliose não é visualmente perceptível, pois grande parte dos casos são curvas leves e até curvas duplas (que se compensam no exame físico). Os sinais mais comuns no exame físico são:

  • Ombros desiguais;
  • Escápulas inclinadas;
  • Algum grau de rotação do tórax e das mamas;
  • Um lado do quadril mais inclinado do que outro;
  • Perna mais curta que a outra;
  • Cintura assimétrica;
  • Gibosidade visível ao inclinar o tronco para frente.

É um diferencial ao bom prognóstico do paciente portador de escoliose a constante observação dos pais, que devem observar suas crianças desde cedo praticando atividades comuns como brincar e se vestir para perceber quando há desvios de coluna. Nem sempre essa tarefa é fácil e muitos casos só são perceptíveis ao exame de um profissional de saúde especialista na área.

escoliose idiopáticaPara a escoliose idiopática que se manifesta na infância e adolescência, o teste de Adams, que flexiona o tronco para frente e para baixo, é bastante útil para o diagnóstico precoce.

Esse exame é realizado em poucos minutos e permite a identificação de desvios anormais no alinhamento da coluna bem como perceber assimetrias no tronco, como, por exemplo, um lado das costas ser mais alto que o outro.

Diagnóstico da Escoliose Idiopática

O histórico clínico detalhado junto com informações sobre o crescimento do paciente é importante para o devido diagnóstico. O histórico familiar também é fundamental. O exame físico é parte importante no diagnóstico, pois irá avaliar sinais específicos de escoliose (inspeção, palpação, medições, exame neurológico e manobras especiais).

O ortopedista de coluna conseguirá atribuir o diagnóstico através de exames de observações posturais, ortopédicas e de exames de imagens como raio-X, tomografia computadoriza e ressonância magnética, quando necessário.

Tratamento da Escoliose Idiopática

Boa parte dos casos da escoliose idiopática diagnosticada na adolescência é leve, e o tratamento baseia-se em observação médica regular e reabilitação motora.

Caso a escoliose seja leve, a alteração da coluna pode até estar associada aos sintomas de fraqueza e/ou encurtamento muscular.

O tratamento mais preconizado e conservador é a fisioterapia a partir de técnicas como a Reeducação Postural Globalizada (RPG), com exercícios que alongam e fortalecem a musculatura mantendo o equilibro da coluna vertebral.

fisioterapiaMedicamentos anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares raramente são necessários, mas podem ser prescritos para dar conforto e melhorar a qualidade de vida do paciente com escoliose idiopática, em casos selecionados.

Em alguns casos, também é recomendada a prática de exercícios físicos de fortalecimento como a musculação, alongamento e também o pilates, visando também a correção de postura. Exercícios na água são excelentes (hidro, natação, etc).

No entanto, devem ser evitados os exercícios que sobrecarregam demais a coluna, como o agachamento com barra e exercícios repetitivos de flexão/extensão do tronco com pesos. Exercícios isométricos de fortalecimento do CORE e musculatura paravertebral são excelentes.

Na maioria dos casos da escoliose idiopática adolescente o tratamento é feito de acordo com a magnitude da curva e o potencial de crescimento do paciente.

Em caso de escoliose leve (curvatura até 20 graus), o tratamento é a correção postural, exercícios específicos para coluna e constante reavaliação clínica e radiográfica para perceber as mudanças. O acompanhamento médico e fisioterapêutico são fundamentais.

Quando a curvatura é um pouco maior (20 a 40 graus), é recomendado o uso de órteses/coletes para evitar uma progressão acelerada da curva (apenas durante a fase de crescimento).

Os coletes mais usados para escoliose idiopática são:

– Colete de Boston;

– Colete de Milwaukee;

A seleção de cada colete depende de vários fatores, como grau da curva, posição da curva (onde está o ápice da curva), entre outros que são avaliados devidamente pelo ortopedista.

escoliose orteseNo entanto, é importante saber: o colete para a coluna nem sempre reduz a curva.

O papel do colete é de diminuir a progressão da curva, fazendo com que ela não avance rapidamente durante o estirão do crescimento do paciente.

Durante o crescimento da criança e/ou adolescente, o colete é ajustado, pois a medida que os pacientes vão crescendo os apoios e tamanho deve ser mudado. Esse acompanhamento deve ser regular com o médico especialista e radiografias seriadas com colete.

Cirurgia para escoliose idiopática

A cirurgia para a escoliose idiopática começa a ser recomendada quando as curvas são maiores do que 40 a 45 graus e continuam a progredir, e para a maioria dos pacientes com curvas maiores que 50 graus. Essa avaliação sempre deve ser feita em conjunto com o exame físico do paciente e deve ser avaliada criteriosamente caso a caso. O objetivo da cirurgia é reduzir a curva e evitar a progressão da deformidade.

cirurgia escolioseCurvaturas graves (maior que 50 graus) são mais propensas a progredir na vida adulta. Quando uma curva progride para 70-90 graus, ela não só determina uma deformidade muito ruim, mas muitas vezes pode resultar em comprometimento cardiopulmonar, por diminuir o espaço disponível para os pulmões e o coração.

Normalmente, cerca de 50% ou mais de correção pode ser obtido com a cirurgia utilizando sistemas de instrumentação (materiais cirúrgicos) modernos. Esses materiais utilizados são compostos por parafusos, ganchos e hastes metálicas com o objetivo de manter a coluna alinhada.

Uma vez que ocorre a fusão óssea após a cirurgia, a coluna vertebral não se move naquele segmento e a curva pára de progredir. Geralmente não é necessária a remoção dessas hastes e parafusos.

A cirurgia é realizada na região posterior da coluna (parte de trás das costas) e em alguns casos especiais e raros de curvas rígidas, pode ser associada uma cirurgia pela frente.

Geralmente o procedimento tem duração média de 3 a 5 horas. Em todos os casos são utilizados equipamentos especiais de monitoração da função neurológica do paciente durante todo o procedimento de correção da curva (potencial evocado somatossensitivo).

Como é o pós-operatório no hospital?

Após a cirurgia, os pacientes geralmente começam a sentar na cama no dia seguinte e andar no segundo dia após a cirurgia. O tempo de internação hospitalar total é geralmente de 3 a 4 dias. Os pacientes podem voltar para a escola/trabalho cerca de 2-3 semanas após a cirurgia, mas sua atividade esportiva deve ser limitada até a consolidação óssea da cirurgia (fusão/artrodese). Esse tempo leva de 4 a 6 meses. As demais atividades são liberadas.

Preciso usar algum colete ou ficar imóvel depois da cirurgia de escoliose?

Não. Não há necessidade de coletes após a cirurgia, muito menos deixar de fazer sua atividade habitual. Entretanto, é importante notar que alguns movimentos podem ser um pouco limitados e até causar dor nos primeiros três meses após a cirurgia. Esses movimentos são o de flexão total da coluna (dobrar a coluna para a frente), levantamento de pesos e torção do tronco (girar o tronco com o quadril parado).

Como é feito o acompanhamento após a cirurgia?

Geralmente o paciente é acompanhado com exames periódicos de raio-x para avaliar a consolidação óssea (fusão) da cirurgia até os primeiros 6 meses da cirurgia. Após este período o acompanhamento é anual. Uma vez que o osso teve uma fusão sólida, nenhum outro tipo de tratamento é necessário.

Como é a vida após a consolidação da cirurgia de escoliose?

Os pacientes podem retomar níveis normais de atividade após a consolidação da cirurgia e não há limitações residuais. Pacientes do sexo feminino podem engravidar normalmente e até ter parto normal.

Escoliose Idiopática: Prognóstico

A fisioterapia é extremamente necessária para estabilizar a musculatura do paciente, e por isso, causa melhora das dores e aumento da qualidade de vida.

Em escolioses idiopáticas de ângulos leves (até 20 graus), é possível controlar bem os sintomas e ter um ótimo resultado funcional.

escoliose cirurgiaÉ necessário garantir a proteção para todas as estruturas da coluna vertebral, assim, deve-se:

  • Manter o peso corpóreo dentro do IMC (Índice de Massa Corpórea) adequado para altura e idade. Obesidade representa um risco;
  • Evitar o sedentarismo com a prática regular de exercícios físicos, assim, fortalecendo a musculatura das costas, quadris e abdome, porque estes dão sustentação à coluna;
  • Alimentar-se de forma saudável para oferecer as vitaminas e minerais necessárias à saúde dos ossos;
  • Não transportar objetos pesados e diminuir a sobrecarga na coluna;
  • Não se automedicar e buscar sempre o ortopedista em caso de dor extrema ou quando o remédio que ele prescrever parar de funcionar;
  • Prestar atenção no tipo de calçado. Escolher os que auxiliem a boa postura e sejam confortáveis.

A escoliose nem sempre é um diagnóstico fácil de ser realizado e as dúvidas e inseguranças por parte dos pacientes e sua família são comuns. Por isso a necessidade sempre de uma avaliação de um médico especialista na área para um diagnóstico precoce e um melhor tratamento.

Toda informação é de caráter apenas informativo e não substitui uma avaliação médica com um Especialista em Coluna.

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A indicação da cirurgia de escoliose deve ser avaliada no contexto global do paciente e o atendimento médico a essa família deve ser o mais humano e esclarecedor possível.